Relatório Analítico Final
Diagnóstico de Variância e Estrutura Remuneratória (Dez/2024 a Mai/2026)
A folha de pagamento do município apresentou um crescimento líquido de R$ 9.698.391,49 na janela de 18 meses analisada. Ao contrário da percepção comum de que o inchaço se deve ao descontrole generalizado de salários, a auditoria matemática aos dados provou que 92,8% deste crescimento é um problema puramente de expansão de volume (contratações). Em contrapartida, identificou-se uma assimetria severa na distribuição de gratificações que afeta o topo da pirâmide salarial e uma grave anomalia contábil no registo de desligamentos.
O cruzamento da evolução salarial com a Receita Corrente Líquida (RCL) e o IPCA revela "duas prefeituras" num só orçamento. Para a base recém-contratada (Mediana de 2 anos de casa), o ganho real de poder de compra acima da inflação foi de apenas 2,50%. No entanto, para o grupo de veteranos (cerca de 6 anos de casa), o ganho real médio disparou para 88,61% no mesmo período. A máquina pública tem protegido o topo da inflação de forma agressiva, enquanto a base permanece estagnada, gerando um desvio padrão salarial superior a 220%.
Aplicando o modelo de Análise de Variância (Efeito Volume vs. Efeito Custo Médio), o aumento de quase 10 milhões de reais foi matematicamente desconstruído, provando que não houve aumento salarial descontrolado na base, mas sim uma contratação massiva na Educação:
Efeito Volume (Novas Pessoas)
R$ 9.002.355 (92,8%)
Efeito Custo (Aumentos/Plano)
R$ 464.828 (4,8%)
Efeito Misto / Composição
R$ 231.207 (2,4%)
A auditoria identificou que o 4º maior "Centro de Custo" do município não existe no organograma. Cerca de R$ 38 Milhões foram empenhados ao longo da série sob a rubrica genérica “NÃO ENCONTRADO (POSSÍVEL DESLIGAMENTO)”. Este valor colossal evidencia o custo oculto da alta rotatividade (turnover). As verbas rescisórias da massa de contratos temporários estão a cair num vazio de transparência contábil.
Isolando a folha em percentis (do P25 ao P95) e cruzando o Salário Base com a Remuneração Total, ficou provado que a desigualdade no município não advém do vencimento base, mas sim de eventos e gratificações estruturais (como os da LC 459/2004). O servidor na mediana (P50) recebe pouco mais de R$ 900 em complementos, enquanto o topo (P95) adiciona mais de R$ 5.000 mensais à sua base.
Este dossiê não se baseia em estimativas ou inferências, mas sim num retrato fiel das bases de dados originais extraídas diretamente do sistema IPM do município. A auditoria matemática foi submetida a validação cruzada independente por uma arquitetura avançada de Inteligência Artificial multiagente (Gemini, Kimi e Hermes).
A ausência de clareza imediata sobre os R$ 38 milhões em rescisões prova a urgente necessidade de Governança de Dados. Para abandonar a visão retroativa, o município deve avançar em:
Mapeamento visual avançado originado pelo processamento algorítmico da base de proventos em perspectivas de inteligência de negócios.
A rampa de crescimento contínuo do Custo Mensal da Folha (Dez/24 a Mai/26), confirmando a expansão vegetativa da máquina em quase 10 milhões mensais em seu ápice.
Enquanto o regime efetivo impulsiona a curva para os R$ 5 mil, o contingente temporário traciona a curva geral para o piso estrutural.
Mapeamento do quadro Ativo vs. Desligados/Inativos. A área vermelha ilustra o impacto das verbas rescisórias e desligamentos, criando os "ralos" contábeis não alocados no organograma.
Este gráfico de áreas empilhadas é a visualização matemática da Anomalia Fiscal documentada no Capítulo 3. Sempre que o município realiza demissões ou trocas massivas de contratos temporários, a área vermelha se expande, absorvendo o capital destinado às verbas rescisórias. O pico entre Fevereiro e Novembro de 2025 demonstra uma reestruturação drástica da força de trabalho, gerando milhões em custos de transição paralelos à manutenção dos ativos (área verde).